Biografia parlamentar:

Por que alguém passa a se interessar mais pelo bem estar coletivo do que pelos seus próprios interesses? Qual foi o momento em que essa pessoa engajou-se, pela primeira vez, numa luta pelos direitos das pessoas mais vulneráveis e mais oprimidas? Qual a primeira causa que assumiu como sua?

Ivan Moraes tem dificuldade de responder a todas essas perguntas.

Para Ivan, estar mobilizado e disposto para debater – suas ideias ou outras completamente diferentes - é algo espontâneo quanto respirar, alimentar-se, amar. É assim há 40 anos, desde criança nas ruas do Recife, onde nasceu em maio de 1976.

A primeira causa que o atraiu perdeu-se em sua memória, mas lembra do interesse pelas primeiras eleições presidenciais após o fim da ditadura militar, principalmente do acirrado segundo turno entre Fernando Collor e Lula. Só não participou mais dos comícios e passeatas porque mal havia entrado na adolescência.

Pouco tempo depois estava na Escola Técnica Federal (o atual IFPE), matriculado no curso de Química. Foi quando conheceu a uma escola pública. Também viveu ali sua primeira experiência de engajamento, no caso uma brevíssima participação na diretoria do grêmio da escola.

Ivan acabou se formando, anos à frente, em Jornalismo. Afinal de contas queria escrever, viajar e mudar o mundo. Trabalhou em jornais e até numa agência de publicidade. Durante alguns anos, ganhou a vida assim.


MOÇAMBIQUE

Não é por acaso que o nome desse país africano aparece em negrito como intertítulo nesta pequena biografia de Ivan. Trabalhar pouco mais de um ano como voluntário em Moçambique, país africano, em um programa de controle da epidemia do vírus HIV, se não mudou sua vida, representou uma fase de autoconhecimento e a definição do caminho que pretendia seguir dali em diante.

Sem água encanada, sem dinheiro no bolso e dedicando seus dias para contribuir com a prevenção da Aids e melhorar a vida de uma população muito vulnerável o fez descobrir que a felicidade não está em ter carro de luxo, casa própria, roupas caras e muitos objetos caros. Na África, Ivan descobriu que a felicidade é algo simples.

Voltou decidido a só trabalhar em atividades que contribuíssem para melhorar o mundo. A “fazer o bem”, como costuma dizer para simplificar as coisas. De tanto desejar e procurar, foi contratado pelo Centro de Cultura Luiz Freire, em Olinda, onde completou sua formação em Direitos Humanos.

No CCLF – onde ainda atua -, participou da luta pela comunicação como um direito humano, por uma educação de qualidade e inclusiva, pela garantia do estado laico e por políticas culturais realmente democráticas. Conheceu o movimento antiproibicionista e tem lutado pela implementação plena da Rede de Assistência Psicossocial (RAPS) e contra o desmonte das poucas políticas sobre drogas em nossa cidade e nosso Estado.

Nos debates e discussões gerados por essas lutas, Ivan destacou-se não apenas pelo seu compromisso, mas também pela sua capacidade de escutar e de falar com clareza, sem agredir ou desrespeitar o interlocutor – qualidade rara!

Há mais de uma década, Ivan participou ativamente da fundação do Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom) e criou – muito antes das redes sociais – o OmbudsPE, espaço pioneiro de análise diária e leitura crítica da mídia pernambucana, em que a sociedade dialoga com os jornalistas e os representantes dos veículos de mídia. Colocar no ar a Rádio Frei Caneca, a recém fundada emissora pública da Fundação de Cultura do Recife, foi outra causa que contou com o empenho de Ivan.

A necessidade de contrapor-se ao discurso da mídia tradicional fez com que Ivan, junto a amigos e amigas da produtora Ateliê, criassem o programa Pé na Rua, que vai ao ar nas tevês públicas desde agosto de 2009. De lá para cá, em cinco temporadas, produziu quase 100 programas que aumentaram a voz da periferia da Região Metropolitana do Recife e a mais de 120 municípios de cinco Estados nordestinos. A iniciativa consolidou sua crença de que o protagonismo das pessoas é fundamental para a libertação de suas comunidades.

No campo do direito à cidade atuou ativamente do movimento #Ocupe Estelita, participando das audiências públicas, da construção de estratégias da sociedade civil - inclusive de comunicação -, do dia-a-dia da ocupação, da resistência na desocupação. Isso tudo na busca pela garantia a uma cidade mais justa e igualitária para as pessoas, em que estas tenham voz e possam decidir sobre a sua cidade.

Fruto de toda a dedicação com a causa dos direitos humanos, em 2011, Ivan ganhou o prêmio James Wright e em 2016 foi escolhido pela revista Good Magazine como uma das 100 pessoas no mundo que estão agindo para um mundo melhor.

Primeiro vereador do PSOL eleito no Recife, Ivan conquistou 5.203 votos numa campanha coletiva, fruto de uma mobilização coletiva de milhares de pessoas que percebem que Ivan já representa e defende seus sonhos e convicções. Essa mobilização gerou a iniciativa Agora é com a gente, criada em abril de 2016 para potencializar a participação política de quem não se acomoda e não aceita a extinção dos direitos dos mais vulneráveis e das minorias.

Biografia enviada pela assessoria do parlamentar em 18/01/2017