Biografia
 
Ser poeta é condição intrínseca de quem nasce no Sertão, especialmente quando se tem “olhos de ler” no livro da natureza (por vezes inclemente) e “ouvidos de ouvir” a sabedoria transposta pela tradição oral.  Cida Pedrosa é assim.  Quando ela brotou para o mundo, da terra árida de Bodocó, em 1963, já trazia a poesia e a política entranhadas na alma porque entendeu, desde cedo, que não poderia viver de contemplação quando o mundo em volta, injusto e desigual, exigia ação.

Como a sede de aprendizado e desbravamento era muita, deixou a terra natal em 1978, rumando para a capital pernambucana. Foi no Recife que se consolidou como poeta, lançando o primeiro livro (Restos do fim) em 1982. Tornou-se feminista, encontrou-se como comunista e se engajou na defesa dos direitos humanos e da cultura.

Em 1987, após concluir o curso da Faculdade de Direito do Recife – posteriormente, especializou-se em Ciência Política, na Universidade Católica - encontrou espaço para defender suas causas no Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Diocese de Palmares, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais e na Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Pernambuco (Fetape). Em 1994, fez história ao participar da primeira convenção coletiva de hortifruticultura do Vale do São Francisco.

O primeiro passo como gestora foi dado em 1995, quando assumiu a chefia do departamento jurídico do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem). Mas, em 1999, seria atraída novamente à militância política e de direitos humanos, passando a integrar o corpo jurídico do Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec) e, em seguida, assumindo a coordenação do Movimento Nacional de Direitos Humanos.

Em Cida, a militância política jamais foi incompatível com a poesia. Até porque, como costuma dizer, sua escrita tem função social. Em 2005, ano em que lançou seu quinto livro, ela criou o site Interpoética, maior acervo virtual de literatura pernambucana, ao lado do companheiro Senor Ramos. Nesse mesmo ano, assumiu a Diretoria de Segurança Cidadã da Prefeitura do Recife e trabalhou na construção do Plano Municipal de Segurança Cidadã.

A poeta e a gestora continuavam a andar lado a lado. Em 2009, Cida assume a vice-presidência da autarquia de saneamento, a Sanear. Depois de se candidatar a vereadora pela primeira vez em 2012, recebendo mais de 4,5 mil votos, ela foi convidada pelo prefeito eleito Geraldo Júlio a assumir o posto de secretária de Meio Ambiente do Recife, cargo em que permaneceu de 2013 a 2016.

Na pasta do meio ambiente, instituiu a política municipal de sustentabilidade e enfrentamento às mudanças climáticas, iniciando uma série de ações estruturadoras, como a elaboração do primeiro inventário de carbono, quando o Recife passou a contabilizar as emissões de gases do efeito estufa e estabeleceu metas de redução, lançando um plano de baixo carbono.  Também promoveu a requalificação do Jardim Botânico do Recife, elevado à categoria A, entre os cinco melhores do Brasil; criou o projeto Parque Capibaribe, que teve como ponto de partida a inauguração do Jardim do Baobá, nas Graças; revitalizou o Cais do Imperador, criando uma estação ecoturística no local, e implantou o econúcleo da Jaqueira. 

Da Secretaria do Meio Ambiente, Cida rumou para atender mais um anseio da alma: defender os direitos das mulheres, sua autonomia e cidadania plena. Assim, em 2017, assumiu a gestão da Secretaria da Mulher do Recife, onde mais uma vez apostou em políticas estruturadoras. Criou a Brigada Maria da Penha, instituiu programa de empoderamento de meninas e promoveu a equidade de gênero no planejamento e políticas urbanas para assegurar o direito das mulheres a uma cidade segura.  Por entender que, em termo de violência doméstica e sexista, o silêncio a mata, mas a comunicação pode salvar, investiu fortemente em campanhas educativas, algumas de grande repercussão na mídia, como aquelas contra o assédio sexual no Carnaval e nas festas juninas. Durante o exercício dessa gestão, em 2018, foi agraciada com o título de cidadã recifense, concedido pela Câmara Municipal.

Como sertaneja não renega a luta, seria justamente no árduo ano de 2020, com os difíceis aprendizados impostos pela pandemia do novo coronavírus, que Cida alcançaria duas grandes conquistas: foi eleita para o seu primeiro mandato como vereadora na Câmara Municipal do Recife e seu livro Solo para Vialejo, o nono de sua autoria, ganharia o mais importante prêmio nacional da literatura brasileira, o Jabuti. 

Por um desses incompreensíveis arranjos do destino, a política e a poeta, promotora do verbo esperançar, atingiram o ápice de suas conquistas num momento em que a defesa da vida exigia que soltássemos as mãos uns dos outros. Agora, ela enfrenta mais um desafio, com ímpeto e inquietude, de lutar pela questão ambiental, pelos direitos humanos e pela valorização da cultura.
 
 
Biografia Parlamentar inserida em 02/01/2021.
As informações acima são de responsabilidade da assessoria de comunicação do Vereadora Cida Pedrosa